segunda-feira, 13 de junho de 2011

humanos

eu parei de julgar as pessoas. até hoje, na minha mente existiam pessoas rasas, alguém que não é bom nem mau mas pode cometer erros. e para mim era esta a verdade universal. mas vendo melhor, dentro de cada um de nós existem outras mil pessoas, e eu posso ser um criminoso, e eu posso ser um assassino, eu tenho essa possibilidade. mas escolho não o fazer. espero nunca ter sido verdadeiramente má, eu consigo ser egoísta, eu consigo ser invejosa, e vejo que a maior parte das vezes senão todas as vezes o faço com intenção de me safar sem que ninguém me aponte o dedo. é a natureza humana, o nosso instinto aparece sempre em nossa defesa, mas nem sempre a primeira acção é a acção certa. espero, sinceramente, nunca ter sido verdadeiramente má. só um pouquinho.

terça-feira, 17 de maio de 2011

L' Homme qui aimait les femmes

um bocadinho

- Vou tentar ser objectiva – disse ela com os seus inocentes 18 anos, e ele com 68 anos de pecados limitou-se a ouvir.
- As nossas conversas acabam sempre mal, e não vou dizer que a culpa é tua, porque é de ambos, talvez mais minha.
Ele olhou para ela com um olhar intenso e depois encostou-se no cadeirão castanho para continuar a ouvir, e ela recomeça.
- Tu queres sempre mais um bocadinho, precisas sempre de mais um bocadinho, e eu já te dei todos os bocadinhos que tinha para ti… Percebes?
- Ou melhor, não quero que percebas, quero apenas que já não me peças mais bocadinhos, pois já não os tenho – calou-se e olhou firmemente para ele e quando percebeu que não iria obter resposta, levanta-se, agarra na mala, e quando pousa a mão na maçaneta ele diz:
-Fica, só mais um bocadinho.

mrs. jane

Cabelos longos e escuros, olhar sombrio e sorriso travesso. Mãos débeis de unhas vermelhas que seguram uma lapiseira ao invés da típica caneta de tinta azul. Parece escrever mas tem o olhar fixo no tecto branco que contrasta com a parede cor de rosa ao seu lado. Talvez busque concentração, talvez se tente abstrair da luminosidade que entra pela janela. Está sentada mas posso alvitrar que é de porte médio, e apostaria mil coroas em como estou certo! Os traços suaves deixam transparecer uma ingenuidade comedida que se mistura com uma frialdade autêntica. Uma figura deveras estranha. Enquanto singela como uma criança é sagaz como uma mulher madura. Uma idosa taciturna no corpo de uma senhorita dissimulada. A consumição para a minha alma no que encanta os meus olhos. Assim a vejo.